As presidenciais de 2026 desde sempre trouxeram insegurança e dúvida à população acerca de qual seria o candidato ideal. A presença de muitos candidatos levou os portugueses a duvidarem até quase ao final da campanha sobre quem eleger. Nas últimas semanas de campanha, houve apelos ao voto útil, as sondagens foram usadas como marionetes para aquisição de voto e, no fim, a única certeza que tínhamos era de que a ida à segunda volta seria inevitável.
Após a primeira volta das eleições presidenciais, apresentaram-se os resultados projetados pelas últimas sondagens da RTP. Com isto, foi realçado um panorama político que já é comum no globo e que já se vinha a vincar em Portugal em eleições legislativas, em que a extrema direita tem vindo a ganhar mais poder. Os eleitores de Ventura já tinham pré-definido que seria para ele o seu voto. Por outro lado, Seguro surpreendeu o país, pois a maioria dos seus eleitores só o escolheram no decorrer da última semana de campanha. No entanto, foi o candidato preferido dos portugueses, conquistando o pódio com aproximadamente 30% dos votos. O segundo lugar disputado entre André Ventura e João Cotrim Figueiredo foi ocupado pelo candidato apoiado pelo partido Chega, com cerca de 24% dos votos. A posição de André Ventura continua firme na escolha dos portugueses. Já o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal, que esperava alcançar melhores resultados, anunciou uma “derrota pessoal”, tendo ficado em terceiro lugar, com cerca de 900 mil portugueses a imaginarem um novo Portugal.
O dualismo entre os centros políticos foi corrompido nestas presidenciais pela primeira vez. Marques Mendes teve o pior resultado de sempre de um candidato apoiado pelo governo, ficando em quinto lugar no pódio, logo atrás de Gouveia e Melo. Numa visão espacial, Seguro foi o escolhido pela maioria do continente e da Região Autónoma dos Açores, Ventura foi o segundo mais votado e conquistou a Região Autónoma da Madeira e Marques Mendes foi apenas nomeado em 3 concelhos do continente.
Depois de 10 anos de Marcelo Rebelo de Sousa, presidente eleito nos seus dois mandatos com maioria absoluta, o país escolheu, pela segunda vez na história lusa, após 40 anos de decisões de primeira triagem, ir à segunda volta. Desta vez para disputar, no dia 8 de fevereiro, entre um socialista e um antissistema. O primeiro-ministro, em declarações dadas aos jornalistas, felicitou os candidatos da segunda volta, mas não mostrou apoio por nenhum deles. Luís Montenegro foi criticado pelo povo pela sua imparcialidade, pois acredita-se que, embora António José Seguro não seja da mesma cor partidária do líder do Partido Social Democrata, o candidato apresenta uma visão mais centrada e coerente com a do governo do que a de André Ventura, bastante extremista. Apesar de no PSD e na IL já existirem algumas declarações de voto a favor de Seguro por parte de alguns membros destes partidos, o apoio não é unânime e os líderes dos partidos continuam em silêncio. Por outro lado, a esquerda mostrou desde cedo o seu apoio a António José Seguro.
A questão que fica é: qual será o resultado do dia 8 de fevereiro? Acreditamos que quem votou em Seguro não mudará o seu voto, juntando-se na segunda volta os partidos de esquerda, numa tentativa de dar a vitória a Seguro. Quanto a Ventura, pensamos que os seus votos se manterão e aumentarão com parte da direita. A direita está dividida e possivelmente os eleitores de Cotrim e de Marques Mendes irão se repartir entre os dois candidatos. Relativamente aos votos de quem acreditava no Almirante Gouveia e Melo, é preciso esperar que este se posicione em relação a isso para se poder ter uma perspectiva de votos. Posteriormente à segunda volta, independentemente de qual for o candidato escolhido, todos sabemos que o Governo atual terá de conseguir governar com um Presidente não pertencente ao seu partido, o que poderá acarretar alguns obstáculos, dependendo dos assuntos e do Presidente eleito.
Por fim, no debate entre os dois candidatos à segunda volta, foram abordados diversos temas relevantes nos dias de hoje, por exemplo, a imigração, a revisão da constituição, a confusão do SNS e a posição que cada um pensa tomar relativamente ao caos do mundo político atual. Mais uma vez, vê-se que ambos mantêm o mesmo discurso e a mesma posição desde o início. António José Seguro reforça querer ser o presidente de todos os portugueses sem discriminação, que apoia a integridade humana com moderação e justiça firme. Já André Ventura critica o adversário por ser inseguro naquilo que transmite. Define-o ainda como alguém sem ideias e que pretende “agradar a todos”. No final do debate, Ventura volta ao seu discurso para os cidadãos que consideram que deve ser feita uma mudança no país e, com isso, quer “dar um abanão” e ser “a voz dos que não têm voz”.
Estas eleições presidenciais foram atípicas por diversas razões, no entanto cada um de nós tem o dever de refletir acerca de quem será o melhor representante para o nosso país. Apelamos a que na próxima semana e meia haja uma reflexão profunda para que os portugueses no dia 8 decidam o que querem para o seu Portugal.
Autoria de: Ana Rosa Silva e Mariana Oliveira, membros do departamento de Research & Development