A experiência universitária ganha uma nova dimensão quando decidimos envolver-nos no que acontece à nossa volta. No ISEG, é fácil perceber que há muito mais que aulas: existem associações, projetos e iniciativas que mostram a vida ativa e dinâmica no campus. Apesar disto, muitas vezes pensamos: “Será que isto também é para mim?”. A verdade é que o associativismo académico pode ser uma maneira de viver a universidade de forma mais completa, mais próxima das pessoas e ao que realmente acontece no campus. Neste artigo, queremos refletir sobre o papel do associativismo no ISEG. Vamos abordar desde o que significa participar de uma associação até o impacto que essa experiência pode ter no percurso académico e pessoal. Antes disso, é importante perceber o essencial: afinal, o que é o associativismo académico?
O associativismo académico corresponde à participação dos estudantes em organizações criadas e geridas por eles, com objetivos culturais, sociais, desportivos ou de representação. Estas associações têm um papel relevante na vida universitária ao promover iniciativas, desenvolver projetos e criar oportunidades de envolvimento entre alunos. Embora algumas tenham processos de seleção mais exigentes ou procurem determinadas competências, existe uma grande variedade de grupos com diferentes níveis de compromisso e áreas de atuação. Assim, cada estudante pode encontrar um espaço que se enquadre nos seus interesses, disponibilidade e objetivos. Participar numa associação é uma forma de contactar com novas realidades, colaborar com outras pessoas e desenvolver competências que complementam o percurso académico.
No ISEG, o associativismo proporciona oportunidades que não surgem apenas nas aulas. Mesmo dentro das áreas de gestão e economia, cada associação aborda temas diferentes, desde consultoria e finanças até empreendedorismo, impacto social, cultura ou desporto, permitindo que cada aluno explore o que mais lhe interessa. Para quem está no primeiro ano, estar numa associação pode ajudar a criar ligações e a sentir-se mais incluído num ambiente que, no início, pode parecer distante. Para quem já está mais avançado no curso, é uma oportunidade de aprofundar interesses, ganhar experiência em organização, comunicação ou gestão e participar em projetos que enriquecem o percurso académico.
Uma das características mais marcantes do associativismo académico é a quantidade de aprendizagens que surgem de forma natural ao longo da participação. Ao colaborar em projetos, planear atividades ou trabalhar com colegas, desenvolvem-se habilidades que são essenciais tanto na vida académica como no futuro profissional. Aprende-se a comunicar de forma mais clara, a gerir tempo e prioridades, a lidar com imprevistos e a encontrar soluções quando algo não ocorre como previsto. Ganha-se autonomia, capacidade de adaptação e confiança para assumir responsabilidades.
A hesitação em participar no associativismo académico é perfeitamente normal e totalmente válida! O receio de não saber o suficiente ou de não corresponder às expectativas pode ser intimidante, mas vale a pena lembrar que tudo tem uma primeira vez e que as associações existem precisamente como espaços de aprendizagem e crescimento. Mesmo que a experiência não seja perfeita, contribui sempre para o desenvolvimento pessoal. Informar‑se, falar com quem já participou e explorar sem medo pode ser o início de um grande caminho.
Atualmente, experiências práticas têm um peso cada vez maior, muitas vezes superior ao das classificações ou médias. Assim, a participação no associativismo académico constitui uma mais‑valia para o currículo, graças ao seu potencial formativo e à preparação que proporciona aos estudantes. Ao promover o contacto com situações reais e com competências valorizadas no mercado de trabalho, o associativismo contribui para um perfil académico mais completo e diferenciado. Embora não garanta, por si só, o sucesso profissional, representa uma vantagem significativa face a percursos que não incluem este tipo de experiências.
Para concluir, o associativismo académico não é obrigatório nem tem de ser seguido por todos, mas é uma grande oportunidade para conhecer pessoas, descobrir interesses, aprender coisas novas, desenvolver competências e também de sentir que a universidade é muito mais que aulas e avaliações.
Autoria de: Enzo Komarov e Matilde Lopes, membros do departamento de Research & Development